Falta de UTI impede atendimento de alta complexidade em Rondon

Por Kawane Ricarto

A cidade de Rondon do Pará tem atualmente 52.357 habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e não tem nenhum leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender pacientes que precisam de assistência médica, enfermagem, laboratorial e radiológica ininterrupta. Com a pandemia do coronavírus, a demanda por leitos aumentaram mas o município continua sem estrutura para atendimentos de alta complexidade. Os moradores com problemas graves de saúde precisam ser transferidos ao município de referência para esse atendimento, em Marabá/PA, polo regional, a 130 quilômetros de distância. No entanto, por esse município atender toda a região, que engloba cerca de um milhão de habitantes, às vezes é preciso aguardar vagas para os leitos. Rondon também não tem estrutura adequada para transferir de forma segura os pacientes que precisam de transferência porque não tem ambulância equipada com UTI móvel. 

Essa é a realidade da maioria das cidades brasileiras. Menos de 10% dos municípios têm leito de UTI pelo SUS, de acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES). Segundo dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), de 2020, a região Norte é a que apresenta o menor número de leitos (2.082), tanto no atendimento público (1.331) quanto no privado (751) e, por isso, apresenta a menor proporção do país: 0,9 leito a cada 10 mil habitantes no SUS e 4,7 a cada 10 mil habitantes no particular.

De acordo com o Coordenador de Atenção Primária do município, Manoel Messias Silva, o status atual de saúde de Rondon se enquadra no que é chamado de Gestão de Atenção Básica em Saúde, que corresponde ao atendimento da população por meio de unidades básicas de saúde, como policlínicas, postos de saúde e etc. Portanto, para realizar atendimentos de pacientes em situações graves, ou suas transferências pela UTI móvel, é preciso que o município seja habilitado para avançar para Gestão de Saúde Plena, que é quando o próprio município fica responsável pela parte financeira e administrativa do sistema público local. Segundo Silva, a nova administração da prefeitura está trabalhando para que Rondon possa ter essa mudança e conte com possibilidades de implementação de UTI. Mas para que seja instalada uma Unidade de Terapia Intensiva é preciso ampliar o espaço hospitalar da cidade, ou até mesmo construir um novo ambiente adequado e especializado para oferecer suporte vital de alta complexidade, medicamentos, e profissionais especialistas, o que demandaria um grande investimento.

Para Silva, é fundamental que existam leitos de UTI ou UTI móvel no município pois seria possível salvar vidas de pessoas que precisam de atendimento de alta complexidade imediatamente. O coordenador explica que, normalmente, os casos que levam à necessidade de uma UTI em Rondon não estão ligados a problemas patológicos mas são ocasionados por questões de falta de responsabilidade social, como pessoas que conduzem veículos sem usar capacetes, sem habilitações e idade inadequada.

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