Bandeira vermelha pretende conter aumento de casos de Covid-19

Por Kawane Ricarto

Desde terça-feira (2), o Pará está em bandeiramento vermelho, que significa alto risco de transmissão durante a pandemia e baixa capacidade no sistema de saúde. Por isso, na quarta-feira (3) um novo decreto passou a valer proibindo a circulação de pessoas nas ruas; toque de recolher de 22h às 5h; restrição do horário de funcionamento de restaurantes e lanchonetes, que deverão fechar às 18h; caminhadas, carreatas, passeatas e qualquer evento que gere aglomeração acima de dez pessoas estão proibidos; esportes coletivos estão suspensos, sendo permitida a prática esportiva com, no máximo, quatro pessoas; praias, igarapés, balneários e similares fechados nos feriados e fins de semana, e bares, boates, casas de show e casas noturnas fechadas ao público. Essas medidas estão vigentes por sete dias.

Em Rondon do Pará, as atividades comerciais, especialmente os ligados à gastronomia e esportes, modificaram seus horários de atendimentos e alguns tiveram que suspender os trabalhos. Essa medida visa diminuir a circulação de pessoas e está em vigor em quase todos as unidades da federação. De acordo com o professor membro do Comitê Científico de Monitoramento da Covid-19 da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Victor da Silva Oliveira, desde o dia 24 de janeiro deste ano o número de casos diagnosticados tem crescido em Rondon. O município apresenta uma taxa de letalidade alta, 5,1%, contra 2,4% da média do estado. Ou seja, de cada 100 pessoas infectadas no município, cinco vieram a óbito, logo, os indicadores de crescimento recentes dos infectados devem servir de alerta ao município. “A vacinação na cidade está em ritmo de desaceleração. Apenas 0,92% da população recebeu ao menos uma dose da vacina, números bem inferiores à média nacional e estadual 2,88% e 1,68% respectivamente”, observa Oliveira.

Conforme os dados da Secretaria Municipal de Saúde de Rondon do Pará foram registrados no último boletim da Covid-19 (04/03) 12 novos casos, totalizando 810 casos confirmados, 744 casos recuperados, 39 óbitos e 131 monitorados. Segundo o diretor do Hospital Municipal, Thiciano Oliveira, atualmente sete pessoas estão internadas no HM mas todos estáveis e com melhora no quadro e nenhuma previsão ou necessidade de transferência. “A solicitação e decisão médica de transferência dos pacientes ocorre após uma avaliação minuciosa em relação aos exames de imagem e laboratório”, comenta. Mesmo assim, é necessário que a população fique alerta e continue tomando as medidas de prevenção como distanciamento social, uso de máscaras e higiene constante das mãos.

Sistema de bandeiramento

O sistema de bandeiramento do Pará faz parte do Plano Retoma Pará. O intuito é comunicar para a população de modo objetivo a condição de risco epidemiológico em cada uma das regiões de saúde paraense e definir restrições de circulação. Possui seis graus de intensidade, desde o azul, mais brando, até o preto que determina o lockdown. “No entanto, o sistema encontra duas principais fragilidades na sua execução: a frequência esparsa de tempo entre as revisões das bandeiras atribuídas para cada uma das regiões; e a constante alteração dos protocolos a serem adotados por regiões classificadas em determinada bandeira devido a pressões oriunda de setores favoráveis a manutenção de suas atividades econômicas”, comenta o professor Victor da Silva Oliveira.

Nova variante

O estudo, coordenado por Ester Sabino, imunologista e professora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) e pelo pesquisador da Universidade de Oxford Nuno Faria, feito com base na análise genômica de 184 amostras de pacientes diagnosticados com a Covid-19 em um laboratório de Manaus, entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, destacou uma variante brasileira do coronavírus. Essa variante é capaz de ser 2,2 vezes mais transmissível que as demais variantes do vírus, e de causar nova infecção em indivíduos já infectados pela Covid-19. O estudo também mostrou que, em sete semanas, a variante, conhecida como P.1., se tornou a linhagem do SARS-CoV-2 mais prevalente na região de Manaus, no Amazonas.

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